NÃO ME DIGA “FELIZ DIA”!

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NÃO ME DIGA “FELIZ DIA”!

Segundo Simone de Beauvoir “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, entendendo-se que esta é uma construção social, cultural e histórica imposta à mulheres que, desde a mais tenra idade são moldadas, tendo seu papel definido pelo padrão masculino que é o “sujeito”, o detentor do poder, e a mulher é o “outro”.

Ao longo da vida, são normalizados comportamentos e enfrentamos comentários e respostas como “Isso é coisa de mulher.”, como se fossem menos importantes. Essa normalização está em todos os aspectos da vida das mulheres: família, trabalho, participação sindical e política, e é a primeira forma de opressão na história da humanidade.

Com o advento do capitalismo, a família deixa de produzir a maior parte de seus meios de subsistência e o homem é reconhecido como o “Chefe de família”, mas à mulher é destinada uma condição ainda mais inferior à que já tinha no convívio familiar, tendo o pagamento por seu trabalho muito menor que o dos homens, o que se perpetua ainda hoje em inúmeras instâncias. Sem contar com a chamada dupla jornada, em que além do trabalho fora, ficam sob nossa responsabilidade todos os trabalhos domésticos, como se os homens não convivessem no mesmo local.

Pensemos então em quão antiga é a luta das mulheres por igualdade de direitos, equidade e respeito e, vendo que só em 1975 a ONU estabeleceu o dia Internacional da Mulher, por reconhecimento desta luta histórica, pedimos que não nos chamem para celebrar, embora nossa luta tenha garantido muitos direitos, não nos ofereçam flores ou bombons, nem nos digam “Feliz dia”! É necessário que todos se levantem e lutem conosco. Quando nos deparamos com o número de feminicídios (assassinato que tem motivação de gênero), que no Brasil chega à média de 4 a cada 6 horas, é assustador pensar que se morre apenas pelo fato de ser mulher.

A luta das mulheres brasileiras, além de ser por nos mantermos vivas é também contra a escala 6X1, que pode propiciar a todos os trabalhadores e trabalhadoras melhores condições de vida, com mais dignidade, contra a automação e IA’’s, que  tiram postos de trabalho, pela amplificação da luta por uma contínua transformação social, pela quebra de barreiras estruturais e contra a exploração de maneira geral.

Nós mulheres, agentes de trânsito, trabalhadoras da Segurança viária, temos fortalecido esta luta por atuarmos em um campo considerado tradicionalmente masculino, estando em praticamente todos os setores: monitoramento e fiscalização de tráfego, engenharia, educação, atendimento nos Detrans de todo o país, seja nos balcões, vistoria, examinadoras e instrutoras de trânsito, engenheiras de trâfego, entre outras funções. Nossa presença, afora quebrar paradigmas, contribui para uma maior segurança no trânsito!

Mas, enquanto as verdadeiras mudanças na sociedade como um todo não acontecem, pedimos que: Não me diga feliz dia! Levante-se e lute comigo!

Soila Elias

Secretária de Formação Sindical – SINDETRAN/MS

Secretária de Comunicação – FETRAN

 

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