Seja qual for a versão utilizada para explicar o surgimento do Dia Internacional das Mulheres, a certeza é de que a data marca momentos de união de mulheres de todo o mundo para defenderem seus direitos e suas próprias vidas.
Foram as greves, manifestações e intervenções diversas realizadas em inúmeros países no início do século XX, especialmente por melhores condições de trabalho, que levaram as participantes da II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada na Dinamarca em 1910, a defenderem uma data para demarcar essas lutas.
Uma das histórias mais conhecidas é a do incêndio que matou 130 operárias que estavam em greve numa indústria têxtil de Nova York, em 25 de março de 1911. Mas num 08 de março, data que seria estabelecida mundialmente como o Dia Internacional das Mulheres, outra greve de mulheres mudava o curso da história.
Em 1917, ainda durante a Primeira Guerra Mundial, mulheres russas também pararam as fábricas para reivindicar “Paz e Pão”. Além da fome, da miséria e do medo, o país enterrava centenas de soldados mortos nos campos de batalha. Ao contrário de todas as orientações dos movimentos populares na época, em 23 de fevereiro de 1917, que no calendário utilizado na época (juliano) corresponde ao 08 de março (gregoriano), as mulheres decidiram protestar, impedindo o trabalho nas fábricas e forçando os demais trabalhadores a tomarem as ruas.
A greve tomou força nos dias seguintes, obrigando o Imperador Nicolau II a abdicar do poder. Um governo provisório se instalou, com a promessa de retirar a Rússia da guerra, entre outras coisas. Sem cumprir os compromissos, também caiu. Em 25 de outubro, a população toma o Palácio de Inverno, dirigida pelo partido bolchevique, e a Revolução Russa mostra ao mundo quem realmente tem o poder. Daí por diante, é o capital que começa a temer, cedendo às pressões populares em todo o mundo, que reivindicavam o fim do trabalho infantil, jornadas de 8 horas diárias, salários, reajustes, férias, licenças maternidade e doenças, entre outros.
Mais de 100 anos de luta, o Dia Internacional de Luta das Mulheres, em seu verdadeiro sentido, ainda se mostra essencial. Em todo o mundo, as manifestações têm sido cada vez mais politizadas, conscientes de que há muita coisa a mudar. As vitórias femininas ao longo dos últimos séculos são, sim, motivos de orgulho, mas sobreviver aos altos índices de feminicídio, à objetificação, ao mercado de trabalho desigual e às jornadas triplas ainda são realidades que não podem ser comemoradas.
Somente em Mato Grosso, 85 mulheres foram assassinadas em 2021. No entanto, foram tipificados como feminicídio – isto é, assassinato feminino em virtude do gênero – 43 dos casos (50,5%).
No dia 08, às 8h, as mulheres de Cuiabá se reunirão na Praça Rachid Jaudy, centro da capital, para o ato “Pela Vida das Mulheres: Bolsonaro Nunca Mais!”. Será obrigatório o uso de máscaras e higienização das mãos com álcool gel. Em Sinop e em Barra do Garças haverá atos simbólicos com cruzes que remetem ao número de feminicídios cometidos no estado no último ano. Os locais ainda estão sendo definidos.