Lembrar para avançar: 1º de Maio é o Dia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora

Entra ano, sai ano, entra governo, sai governo, e apenas uma realidade permanece: se não houver mobilização por parte dos trabalhadores, todos os direitos duramente conquistados ao longo de anos e luta, podem se perder.

Nos últimos anos, tivemos grandes perdas a partir da aprovação das reformas Trabalhista (2017) e da Previdência Social (2019)

 Desafiando a capacidade de mobilização dos trabalhadores a reforma trabalhista desmontou a legislação trabalhista conquistada em um século de lutas em nome de uma mentirosa “valorização dos instrumentos coletivos de trabalho”. Em outras palavras, o negociado se sobrepôs ao legislado para reduzir direitos, o que era proibido por lei. Ao mesmo tempo que permitia a piora dos acordos coletivos, a reforma atacou a capacidade de mobilização e organização da classe, aprofundando as terceirizações, retirando sindicatos de negociações e acabando com a ultratividade dos acordos coletivos.

Da mesma forma, a reforma da Previdência Social distanciou a tão sonhada aposentadoria, reduzindo ainda mais os valores pagos àqueles que contribuíram uma vida inteira para a produção de riqueza do país, ao mesmo tempo em que aumentou a alíquota paga pelos trabalhadores. Novamente, a justificativa apresentada foi mentirosa, a partir do argumento de que o direito à aposentadoria provocava um “déficit” no sistema de Seguridade Social, quando especialistas e a própria CPI da Previdência, realizada em 2017, apontavam justamente o contrário, que o sistema é superavitário.

Essas duas aprovações, junto à aprovação do Teto de Gastos (sociais, apenas) e a proposta de Reforma Administrativa – que embora não tenha sido aprovada segue como uma ameaça -, representam uma série de ataques a direitos conquistados duramente, por meio de muitas mobilizações, greves e inclusive mortes nos últimos séculos. O Massacre de Haymarket, nos Estados Unidos da América, em 04 de maio de 1886, foi uma das justificativas que levaram à aprovação do necessário Dia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora. Na ocasião, milhares de trabalhadores em greve que protestavam nas ruas de Chicago por melhores condições de trabalho foram atacados pelas forças repressivas do Estado a serviço dos patrões, 20 trabalhadores morreram.

Foi um período de intensas greves e mobilizações por todo o mundo. Por isso, o Dia 1º de Maio é uma expressão de todos os movimentos de trabalhadores de todos os tempos. A data foi definida entre 1889 e 1916, período em que vigorou a II Internacional Operária, que reuniu representantes de todo o mundo. Entre o final do século XIX e início do século XX, a principal reivindicação dos trabalhadores era a redução da carga excessiva de trabalho, que ultrapassava 13h diárias, para 8h. Hoje, a reforma trabalhista permite jornadas muito superiores, por meio da precarização dos contratos de trabalho e da uberização do trabalho.

No Brasil, o primeiro protesto para marcar a data foi realizado já em 1892, em Porto Alegre. Desde então, todos os anos os trabalhadores brasileiros, resistindo a todos os ataques e tentativas históricas de cooptação por parte de governos e do setor empresarial, depositam no 1º de Maio mais um capítulo dessa história de luta.

Entre acertos e erros, perdas e avanços a classe tenta se reorganizar e, sobretudo, se fortalecer. Nesse contexto, o Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores jamais deve ser apequenado. O 1º de maio é, internacionalmente, uma data para mobilizar, fazer refletir e, sobretudo, nos orgulhar. É conhecendo o nosso passado que construiremos o nosso futuro.

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